quinta-feira, 13 de março de 2014

Centro de referência apoia mulheres vítimas de violência em Belterra

Após anos de luta as mulheres de Belterra, conseguiram um centro de apoio para mulheres vítimas de violência doméstica. O Centro de Referência da Mulher abriu as portas em março de 2013 e atende, em média, 50 mulheres por mês, oferecendo assistência jurídica, psicológica, social e de saúde preventiva da mulher. Na semana passada, no dia Internacional da Mulher, foi comemorado seu primeiro ano de funcionamento.
Maria Ivanilda (Neguinha)
Maria Ivanilda Lira de Sousa (Neguinha), de 41 anos, é líder comunitária no movimento de mulheres local e trabalhou junto com o governo para a abertura do centro:
A maioria das mulheres aqui ainda não conhece a Lei Maria da Penha e muitas das que sabem têm medo de usá-la. Construir o centro foi um processo muito longo: nós passamos oito anos lutando por isso. Por fim, o governo local concordou em abrir o centro. A ActionAid e a FASE nos ajudaram muito - eles se reuniram com líderes comunitários , ouviram a população e apoiaram nas negociações com o governo local para exigir as instalações. O centro é financiado pelo governo para que as mulheres não paguem por qualquer dos serviços oferecidos. Lá as mulheres têm a oportunidade de falar abertamente e expressar o que estão sentindo e sofrendo sem medo. As mulheres vêm aqui porque sabem que vão ter toda atenção.  
Josiane Lopes, 35 anos, mora em Belterra  com seus cinco filhos e começou a frequentar o centro:
A maior dificuldade das mulheres em Belterra é o medo de falar sobre a violência que elas estão sofrendo. Busquei ajuda no centro quando eu queria divorciar meu marido, que era violento comigo. Eles me deram um aconselhamento jurídico e apoio psicológico, e me incentivaram a mudar a minha vida. Agora, eu não ficaria em silêncio se um homem tentasse me bater de novo. Antes do centro ser aberto tínhamos que ir para Santarém, a 40 km de distância, para ter assistência. Como muitas mulheres não podiam ir tão longe, elas sofriam em silêncio. Hoje eu posso chegar ao novo centro em quatro minutos.

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