segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A vida cultural da Bela Terra

As manifestações culturais representam a vivência de um povo. Em Belterra, no Pará, a cultura está presente nos inúmeros festivais que acontecem ao longo do ano e nos eventos que mobilizam a população objetivando a geração de trabalho e renda para as famílias, além de entretenimento. Organizados por comunidades ou mesmo pelo poder público, as festividades são os momentos em que as pessoas propiciam os sabores da vida em coletividade, representando assim, outro aspecto da vida cultural de Belterra, a identidade do coletivo.
As comunidades tradicionais da região ribeirinha, a maioria delas na Floresta Nacional do Tapajós, realizam os Festivais: da Chaperema em Jaguarari, da Cobra Grande em Prainha, do Açaí em Piquiatuba, do Mapurá em Tauari e  do Tucunaré em Pini. Todas estas manifestações culturais acontecem em torno da realidade de cada localidade, de seus recursos naturais, ou ainda de figuras do imaginário popular que são amplamente conhecidas na Amazônia.
Na área do planalto, os festivais acontecem em torno da produção rural familiar. É o caso do Festival da Pimenta do Reino em Nova Canaã, comunidade do Km 140 na BR 163 e do Festival do Côco em São Jorge, localizada no Km 92 da BR 163.
Na zona urbana, as caracterizações de produção rural estão expressas na realização do Festival da Mandioca organizado pela Associação dos Moradores da Estrada Oito; o Festival do Cupuaçú, realizado anualmente pela Associação da Equipe Raça (ASBELCEER); e o Festival da Manga que tem na sua organização a Associação dos Amigos do Desenvolvimento Sustentável de Belterra (AMADSBEL).
Todavia, o maior evento cultural da cidade ocorre no mês de julho, durante as férias escolares. Trata-se da Gincana Cultural de Belterra, uma disputa entre as Equipes Raça e Equipe Os Piratas. É uma espécie de Boi Bumbá de Parintins(AM) e Sairé de Santarém(PA). Realizado há mais de quinze anos, a Gincana é o momento aguardado pelos moradores para colorir a cidade em vermelho ou azul representando as cores das equipes. Contudo, a rivalidade entre os integrantes é que mais se destaca.
Segundo o agente administrativo Mizael Santos, 29 anos, “a vontade de ser campeão da gincana faz cada equipe se empenhar ao máximo no cumprimento das tarefas”. Mizael ainda enfatiza que “a gincana é uma grande brincadeira que visa resgatar as nossas raízes, nosso modo de viver e nossas crenças”. Ele diz que integra a equipe Raça há mais de dez anos e que durante os dias da gincana não consegue pensar em outra atividade. Na maioria das vezes, ele tem contribuído com seu grupo na confecção do vestido da rainha. “Eu vejo a rivalidade como saudável. Sabemos que é uma grande responsabilidade e exigimos que nossa equipe apresente o melhor” ressalta o  jovem brincante.
O carnaval da cidade é quase uma extensão da Gincana, a rivalidade dos integrantes do bloco Os Piratas também tem lugar garantido na avenida. A equipe Raça também já disputou o carnaval, mas nos últimos anos liberou os seus brincantes para comporem outros blocos. Entretanto, quem se destaca mesmo é o bloco Amigos da Onça que venceu o “Belterra Folia” por quatro vezes.