segunda-feira, 6 de junho de 2011

PREDADOR


Por Cacá de Mattos em 06/06/2011

Ele vem com a voracidade de um dragão
E transforma em cinza tudo o que vê
Derramando seu desprezo pelo que encontra
Consome a floresta, poluí os rios
E joga sua cortina de fumaça no ar
E o humano agora descobre a palavra medo
Que até, então, não compunha o calendário da vida do lugar.

Cerca os campos e impede a livre circulação
Faz pesca de arrastão e contamina o outro
Com o veneno da plantação

Ameaça e suborna, mata e fere
Deixa na pela da gente o seu poder destruidor
Tudo o que toca agora vira valor, dada a intenção mercantil de sua ação.

Seu nome “progresso”, outros o chamam de “desenvolvimento”.
Seu intento, mercantilizar a vida e a natureza
Transformando, como Midas, em ouro tudo o que toca
Lameando com sangue tudo o que constrói.

Varre do lugar a generosidade que lá habita
E quando não convence
Rouba a vida da gente
E rasga a carne com a fúria de seus dentes.

Predador é seu teor
E sem piedade é seu olhar
Seu fundamento o lucro
Que soa nos cifrões melancólicos da sua fúnebre canção.

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