terça-feira, 19 de abril de 2011

Belterra 77 anos: nossas aldeias indígenas

Há 14 anos os moradores das comunidades de Marituba, Bragança e Taquara lutam por reconhecimento como povos indígenas Mundukú e também pela demarcação de suas terras. As três aldeias estão localizadas na Floresta Nacional do Tapajós, município de Belterra.
Walmir na Festa da Mani
Ontem, conversei com o jovem Walmir Ibkk, neto do finado Laurelino, da aldeia de Taquara que atualmente mora na zona urbana de Belterra e que estuda o curso de Sistema de Informações na Universidade Federal do Oeste do Pará. Ele conseguiu entrar atraves das provas especiais para indigenas.
Veja alguns trechos da nossa conversa:
Blog da Mônica: Você se considera indígena?
Walmir: Somos indígenas porque esse é nosso sangue, é a nossa identidade interior, esse é o nosso ser. Isso não se perde só porque vivemos na cidade ou falamos apenas o português.
Blog da Mônica: Na aldeia, vocês realizam rituais?
Walmir: Nossos rituais, na floresta, junto à lua e à fogueira, são momentos de verdadeiros, encontros entre nós. Sempre dançamos e continuamos dançando, pois a dança e a festa são a alma da nossa gente. Quem para de dançar fica triste, doente e morre. Quando dançamos, lembramos os nossos antepassados, e Deus se aproxima de nós, entra no circulo sagrado.
vida em familia - aldeia de Bragança
Blog da Mônica: Como vocês se articulam com as outras aldeias?
Walmir: Trabalhamos junto ao Conselho Indígena dos rios Tapajós e Arapíuns (CITA) – uma organização que reúne e representa os povos indígenas que vivem em 45 comunidades no baixo Rio tapajós, Arapíuns e Planalto. Há uma coordenação geral, e cada comunidade tem um representante no CITA.
Blog da Mônica: O que é o GCI?
Em um espaço autônomo de articulação, troca de experiência, construção de plataforma e mobilização da sociedade civil que tem por objetivo fortalecer a luta das organizações indígena e movimentos sociais e políticas públicas que contribuam para a diminuição das desigualdades e a inclusão social, afirmando e exercitando a democracia participativa.
Blog da Mônica: Como está o processo de regularização fundiária de suas terras?
Caciques da Aldeia de Bragança
Walmir:  Em 2008, o Ministério da Justiça apresentou um relatório com uma proposta de demarcação das nossas terras. No entanto, vários orgãos e instituições contestaram este relatório, inclusive, questionando nossa  identidade étnica como indígenas e  alegando os conflitos socias internos que podem ser causados pelas dermarcações e à redução da área de uso das comunidade não-indigenas.


Blog da Mônica: E como está hoje?
Rituais indígenas - aldeia de Bragança
Walmir: No momento, todos os técnicos do Grupo Consciência Indigena estão trabalhando na elaboração de pareceres a processos mais antigos. Depois, o processo será encaminhado à Procuradoria Jurídica do CITA e, após a análise, será enviado ao Ministro da Justiça, a quem cabe assinar as Portarias declaratórias.

Um comentário:

pc disse...

oi querida monica estve olhando o documentario em seu blog pois esta faltando alguns reajuste na redação do texto mas ficou legal .