segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Uma baleia no Rio Tapajós

Fazem três anos que uma baleia do tipo Minke encalhou nas margens do Rio Tapajós, município de Belterra. O animal marinho encalhou no dia 14 de novembro de 2007 num banco de areia numa região distante cerca de 1000 quilômetros de Belém, capital do Pará, cidade que fica próxima ao local onde o Rio Amazonas desagua no Atlântico.
A baleia-minke-antártica (Balaenoptera bonaerensis) é um mamífero cetáceo da família dos balenopterídeos (wikipedia).

Na foto a seguir, a baleia no estado em que encontra hoje, no Museu Municipal de Santarém.
Na foto que segue, a baleia morta ainda dentro do rio. Pesquisador do Museu Goeldi, de Belém, observa o animal sob os olhares dos moradores que primeiro viram o animal.

A notícia do encalhamento da baleia no Rio Tapajós ganhou o mundo. Foi neste período que o blog do Telecentro de Belterra ganhou fama ao contar de forma rapida os episódios da história.
Mizael Santos foi um dos blogueiros belterrenses que acompanhou a história bem de perto. Ele publicava em 14/11/2007:

A natureza em mais uma de suas surpresas
No dia 14 de novembro, foi encontrado por moradores da Comunidade de Piquiatuba – Rio Tapajós no município de Belterra, uma baleia da espécie minke (Baleanoptera acustorotrata), uma das menores espécies de baleias do mundo. Costumam viver em pequenos grupos e as vezes são vistas sozinhas. Sendo vistas em grupos somente no período de alimentação. São encontradas em águas tropicais, temperadas e frias de todos os oceanos, tanto em áreas costeiras como em oceânicas. Ocasionalmente, pode penetrar em baías e estuários em águas de pouca profundidade, o que pode ser um dos motivos que explique que o animal tenha penetrado pelo rio de agua doce e chegado a Comunidade de Piquitatuba Tapajós. No verão elas alimentam-se próximo dos pólos, no inverno migra para regiões mais quentes para se reproduzir e criar seus filhotes. Em algumas regiões, são conhecidas populações residentes durante todo o ano, que realizam apenas pequenos deslocamentos, no Brasil, são vistas em toda costa.
O fato causou bastante surpresa, tanto para os moradores locais, como para pessoas de várias regiões do país. Pois é raríssimo este tipo de acontecimento. O animal parecia bastante debilitado, o que fazia aumentar a senção de impotência das pessoas alé se encontravam.


15/11/2007:
Baleia encalhada desaparece no Rio Tapajós
Biólogos e comunitários se surpreenderam ao não encontrar o animal na frente da comunidade ribeirinha de Piquiatuba em Belterra (100 Km de Santarém) na manhã de hoje.Na quinta-feira, os biólogos e voluntários conseguiram empurrar o animal para o canal , mas a baleia voltou para o mesmo lugar. Na segunda tentativa o animal se deslocou para o meio do rio e seguiu o curso, no entanto por volta das 21h00 foi vista em outro ponto da comunidade.Desde que foi vista na frente da comunidade ribeirinha a baleia ficou sobre a guarda dos comunitários que revezavam acompanhando o animal dia e noite, auxiliando inclusive os trabalhos das equipes do Ibama, dos Bombeiros e da Marinha, mas dado o número de curiosos o Ibama proibiu a aproximação de qualquer pessoa , até mesmo dos comunitários, segundo informou Jonival Neves, um dos voluntários.

Ainda no mesmo dia:
Baleia reaparece no Rio Tapajós
A baleia da espécie Minke que estava encalhada em frente a comunidade de Piquiautuba em Belterra reapareceu na manhã deste sábado do outro lado do Rio Tapajós.

Biológos do Ibama informaram que o animal foi encontrado na comunidade de Jauarituba, na Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns, entre as comunidades de Suruacá e Vila de Boim já no município de Santarém.

16/11/2007:
A saga chega ao fim
O Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) confirmou nesta tarde, a notícia de que a baleia Minke que estava na região, morreu.

O animal que apareceu encalhado no Rio Tapajós no dia 15 de novembro, na comunidade de Piquiatuba no município de Belterra, foi encontrado boiando na manhã de hoje na comunidade de São José no Rio Arapiuns onde foi avistada nos últimos dias.

Segundo a bióloga Fábia Luna, comunitários ligaram para o Corpo de Bombeiros avisando que a carcaça do animal estava na frente da comunidade. Logo em seguida a equipe do Ibama foi acionada e deslocada para o local.

Não se sabe afirmar ainda o que levou o animal a óbito, no entanto tudo indica que a baleia estivesse doente.

Na manhã de ontem equipes do Ibama e biólogos do Instituto Chico Mendes medicaram o animal e coletaram amostras de sangue.

Hoje a carcaça da baleia foi levada até a margem onde foi realizada uma necropsia. Os órgãos serão enviados para um laboratório para análise, desta forma se saberá a real causa do animal ter vindo parar na região e também o motivo da sua morte.


Imagem da baleia no museu: Manuel Dutra
Imagem da baleia na praia: http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL183789-8491,00.html

Um comentário:

mario batista disse...

Esse ocorrido deixou nossa região em evidencia nos noticiários aqui do sudeste, pena que foi de uma forma não desejada, porém vale ressaltar o profissionalismo exercido pelo blogueiro em questão, aproveito aqui para exaltar o trabalho desenvolvido na época com muito mais conteúdo que a mídia de São Paulo.
Vcs blogueiros de Belterra; são muito competentes, PARABÉNS...abraço, Mário Batista