terça-feira, 28 de setembro de 2010

Gravidez na adolescência pode matar

O caso da adolescente L.L.W de 16 anos é diferente. Ela já estava morando com o namorado quando engravidou. Garante que não estava planejado, muito menos preparada para ser mãe, mesmo assim prosseguiu com a gravidez. No acompanhamento descobriu ter anemia e tomou os devidos cuidados para prevenir problemas, como leucemia, hemorragia pós parto e complicações obstétricas. Contudo, seu filho nasceu prematuro e teve que fazer operação cesariana. “Imagina se eu não tivesse feito o pré natal. Poderia ter outros problemas no nascimento da minha filha”.

A cada ano cresce o número de adolescentes grávidas em Belterra, município do oeste paraense. Entre os meses de janeiro e julho de 2010 foram registrados 29 casos na cidade. A situação preocupa os pais, médicos, enfermeiros, assistentes sociais e membros do Conselho Tutelar. Assim como em todo o Brasil, a gravidez precoce é considerada um problema de saúde pública e a incidência ocorre principalmente nas famílias de baixo poder aquisitivo.

B.M.M. foi uma das adolescentes atendidas no setor de pré natal da Unidade Mista de Saúde. Ela engravidou quando tinha 13 anos, após se relacionar sem proteção com um colega de escola. Com medo de contar para os pais, a menina escondeu a gravidez até o sétimo mês. Quando sua mãe descobriu, tratou de encaminhá-la para a Unidade de Saúde, onde os procedimentos de acompanhamento foram iniciados. Segundo a uxiliar de enfermagem, Ana Célia Pimentel, neste caso o procedimento é chamado de pré natal tardio e aumenta os riscos de complicação no parto por não ter o acompanhamento no primeiro trimestre. É recomendado que sejam realizadas no mínimo seis consultas.

Para o médico obstetra Júlio César Imbiriba, uma adolescente não está preparada para ser mãe em virtude de seu desenvolvimento físico não estar completo. Todos os órgãos estão em fase de crescimento, inclusive o útero. Em muitos casos, ocorre desproporção feto maternal, quando o útero da mulher é pequeno e o feto é grande. Nesta situação, é necessária a indicação de uma cesariana para que não haja problemas. Outro risco citado pelo médico é o suporte hormonal insuficiente. A menina receberá hormônios para o seu crescimento e para o de uma criança, ficando desproporcional a quantidade necessária para organismo da gestante e causa por exemplo, fetos anormais, explica Júlio César.

No âmbito familiar, a notícia de ter uma filha grávida nem sempre é bem recebida, principalmente pelas mães. Valdelita Almeida conta que ficou muito triste ao descobrir a gravidez da filha de 15 anos. “Eu queria ver minha filha terminar a faculdade de medicina, que era o sonho dela. Agora vai ter que esperar”. Ela soube da gravidez da filha quando percebeu as mudanças no corpo da adolescente e ficou muito preocupada ao notar a ingenuidade da menina. “Eu acho que faltou mais conversa com minha filha, sobre uso da camisinha mesmo. Eu não queria ensinar pra ela não fazer. Acabou que ela fez e não tinha informação suficiente”.

Situações difíceis vivem as adolescentes que nem chegam a procurar cuidados médicos. O uso de medicamentos abortivos como o Citotec é muito comum entre as gestantes. Ana Célia diz que já atendeu muitas menores que precisam fazer curetagem para expelir os restos do feto que ficam no útero.

Nenhum comentário: