terça-feira, 15 de junho de 2010

Dilma foi jovem corajosa, que lutou por suas idéias e contra a opressão

Além de recomendar a leitura dos trechos em que aborda a juventude no discurso da ex-ministra Dilma Rousseff, durante a Convenção Nacional do PT, que homologou a candidatura dela para suceder o presidente Lula, sugiro que vocês leiam a parte da entrevista que Dilma deu à Veja, nas páginas amarelas, em que fala de sua militância juvenil clandestina e revolucionária pró-democracia, durante o regime militar.
Como lembrou Wagner Gomes, " Dilma Rousseff teve uma juventude abastada, fruto das posses amealhadas por sua família, que lhe assegurariam um bem viver pelo resto de seus dias. Renunciou a tudo isso, no período da ditadura, para lutar pelos seus ideais. Isso é fato".
Leia:

Veja - A sua opção pela luta armada na juventude vai ser um assunto da campanha eleitoral. As pessoas querem saber se a senhora deu tiros, explodiu bombas ou sequestrou.

Dilma - Estou pronta para esse debate. Pertenci a organizações políticas que praticaram esses atos. Mas eu jamais me envolvi pessoalmente em alguma ação violenta. Minha função era de retaguarda. Os processos militares que resultaram em minha condenação mostram isso com clareza. Nunca fui processada por ações armadas. Tenho muito orgulho de ter combatido a ditadura do primeiro ao último dia. A ditadura foi muito ruim. Cassaram os partidos políticos, fecharam órgãos de imprensa, criaram mecanismos de censura, torturaram… Mas o pior de tudo é que tiraram a esperança da minha geração. Quem tinha 15 ou 16 anos de idade quando foi dado o golpe de 64 não enxergava o fim do túnel. De um jovem cheio de energia e sem esperança podem-se esperar reações radicais.

Veja - É fácil falar vendo o filme de trás para a frente, mas hoje parece indiscutível que o pessoal da luta armada não queria a volta da democracia, mas apenas trocar uma ditadura de direita por outra de esquerda. A senhora tinha consciência disso?

Dilma - Olha aqui, no meio da luta essas coisas nunca ficavam claras. O objetivo prioritário era nos livrar da ditadura, e lutamos embalados por um sentimento de justiça, de querer melhorar a vida dos brasileiros. Foi um período histórico marcante em todo o mundo. Os jovens franceses estavam nas barricadas de maio de 68. Jovens americanos morriam baleados pela polícia nos câmpus universitários em protesto contra a Guerra do Vietnã, a mais impopular das guerras dos Estados Unidos, um conflito que aos nossos olhos tinha uma potência tecnomilitar agressora sendo derrotada por um país pequenino, mas valente. Nossa simpatia com o lado mais fraco era óbvia. Depois daquela fase eu continuei lutando pela democracia no antigo MDB e no PDT. Nesse processo, eu mudei com o Brasil, mas jamais mudei de lado.

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