quinta-feira, 22 de abril de 2010

Nas ondas do rio

Essa matéria saiu no Zero Hora lá pelo sul do país. Reproduzo aqui o texto de Mariana Muller.

Nas ondas do rádio em Santarém

Não é tarefa das mais difíceis encontrar adolescentes e jovens cheios de vontade de contar suas vidas na internet, no rádio e em vídeos no YouTube. Pois no interior do Pará, desde 1995, a Rede Mocoronga de Comunicação Comunitária permite que essa geração possa pensar e comunicar a realidade em que vive. Funciona como um canal de alívio para a tensão das dúvidas existenciais tão comuns em jovens urbanos e também nos jovens indígenas.

Tudo começou quando, em 1987, o projeto Saúde e Alegria desembarcou no município de Santarém, a princípio para operar melhorias na área da saúde. O cenário encontrado, porém, foi de uma geração sedenta por se conectar ao mundo do outro lado do rio e descobrir o que ocorria além das fronteiras da comunidade.

A criação da Rede Mocoronga serviu, portanto, para alavancar o crescimento intelectual dos jovens e fazer com que tivessem mais voz nas decisões locais. A partir de oficinas, eles começaram a contar a história de onde viviam na forma de boletins para o rádio ou de notícias para o jornal comunitário. Veio a tecnologia, e a rede se expandiu. Hoje, os 250 meninos e meninas que participam do projeto alimentam blogs e produzem vídeos e documentários. As pequenas comunidades ainda ganharam telecentros movidos a energia solar.

– Os jovens-problema se transformaram em protagonistas e porta-vozes da cultura local – conta Fábio Pena, coordenador de Educação, Cultura e Comunicação do projeto Saúde e Alegria.

Mônica de Almeida, 21 anos, está há seis na Mocoronga. Atuou na rádio de Belterra, sua cidade, e foi repórter comunitária. Escrevendo e falando sobre a região, aprendeu a valorizar sua cultura e a sair do isolamento. Hoje trabalha em um telecentro mostrando os encantos da web para outras pessoas da comunidade.

– A gente vive numa cidade que tem floresta e mal pensava sobre isso – diz ela.

Por que Rede Mocoronga?

Mocorongo é quem nasce em Santarém-Pará e seu significado tem raízes na cultura indígena. Significa gente humilde e receptiva, muito diferente do sentido pejorativo que adquiriu em outras regiões. A escolha do nome valoriza o sentido original do termo e dá outro significado à rede. Com a comunicação comunitária, mocorongo passa a ser sinônimo de desenvolvimento, educação e participação.

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